As pessoas têm enorme facilidade de julgar as coisas pelo seu exterior e quando se trata de pavimentos industriais essa avaliação subjetiva é ainda mais fácil, pois o que está à mostra é apenas a sua superfície: por exemplo, um piso com o RAD solto quem é imediatamente rotulado é o aplicador, quando na realidade podem haver outros fatores importantes que conduzem a essa patologia, sem que seja necessariamente culpa da aplicação, ou quando vemos uma fissura de ordem estrutural, como uma quebra de canto de placa, automaticamente o projetista é o alvo das críticas.

Mas a realidade é outra; o piso industrial é um elemento estrutural bastante complexo composto por diversas camadas superpostas, compostas por materiais bastantes distintos, como podemos ver na figura abaixo e que geralmente é composto de: subleito, sub-base (ou base), barreira de vapor, placa de concreto e revestimento. Muitas vezes, outras camadas são introduzidas para resolver problemas específicos, como uma drenagem sub-superficial, camada de bloqueio, etc e outras vezes algumas são suprimidas, como o subleito de um piso estaqueado. Finalmente, para completar, temos que olhar o piso sob o ponto de vista horizontal para então vermos outro componente muito importante: as juntas.

A falha de um desses componentes estruturais não é necessariamente compensado por outro; assim, se o subleito é mal compactado, uma placa de concreto bem dimensionada pode romper com carga muitas vezes bem abaixo da prevista em projeto e, embora o defeito se apresente de forma estrutural, na realidade foi causado por uma falha executiva. Neste artigo, vamos fazer uma breve introdução dos principais componentes, que no futuro serão melhor detalhados.

Subleito
O subleito é composto pelo terreno de fundação do piso sendo, portanto, o solo local. Em países de clima quente e úmido como o Brasil e, portanto de grande atividade de decomposição de rochas, solos de mesma origem podem ter comportamentos muito distintos quando são formados, por exemplo na Serra do Mar ou no planalto central. Portanto, suas propriedades devem ser previamente conhecidas e lembrando que nem sempre o mesmo tipo de ensaio é adequado: solos de natureza laterítica, típicos de partes bem drenadas de regiões tropicais úmidas, são melhor caracterizados pelos ensaios MCT, enquanto que os saprolíticos, oriundos da decomposição in situ de rocha, são caracterizados pela metodologia tradicional.

Sub-base (ou base)
A sub-base, que no passado foi muito controversa, hoje é um elemento fundamental para o piso, seja sob o ponto de vista estrutural, homogeneizado a condição de suporte e controlando o bombeamento, como funcional, agindo como uma camada de isolamento restringindo a ascensão de umidade, facilitando as aplicações do RAD. Podem ser cimentadas, como brita graduada tratada com cimento, concreto compactado com rolo, solo-cimento, etc, mas mais comuns são as estabilizadas granulometricamente, como as britas graduadas.

Barreira de vapor
As barreiras de vapor formadas por camadas impermeáveis, tais como lonas plásticas ou imprimações impermeabilizantes são geralmente empregadas quando o projeto prevê aplicação de RAD ou quando o local apresenta problemas crônicos oriundos de umidade ascendente. De fato, a única garantia de não ocorrência de patologias decorrentes de umidade, tais como bolhas, é a presença deste componente, mas a sua adoção deveria ser generalizada por proteger o próprio concreto.

Placa de concreto
A placa de concreto é, sem dúvida, o elemento estrutural mais importante, pois é ela que vai absorver todos os carregamentos do piso, transferindo-os para a fundação, de modo que esta trabalhe sempre no regime elástico, isto é, sem deformações permanentes. Além disso, é a responsável pela ancoragem dos revestimentos. Pode ser de concreto simples ou reforçada, sendo este tipo o preferido no nosso meio, já que nele a quantidade de juntas é bem menor.

Os reforçados podem ser com armaduras de aço, tipo as telas soldadas, fibras ou protendido. Como o concreto é um material que durante as primeiras idades apresenta variações causadas pela retração hidráulica e de outros tipos, importantes estas têm que serem consideradas no dimensionamento e comportamento da placa em serviço e, a tecnologia do concreto é matéria obrigatória, tanto no projeto como na execução.

Revestimento
Os revestimentos de alto desempenho ou RADs tem como objetivo acrescentar características específicas ao sistema piso, conforme a necessidade do projeto em questão; entre outros agregam melhoria das condições de higienização, da resistência superficial e mecânica em geral, resistência química, facilitam as demarcações de áreas e a estética. De um modo geral, os RADS se dividem em três grandes grupos: os autonivelantes, os multicamadas e os argamassados ou espatulados. As bases químicas adotadas com maior freqüência são a resina epóxi e o poliuretano.

Juntas
As juntas são elementos introduzidos para o controle das variações higro-térmicas do concreto além de servirem como elementos auxiliares na execução. Devem apresentar a característica de permitir a continuidade estrutural do piso, mas mesmo assim são sempre a parte mais fraca e quando há problemas estruturais, é nela que eles se manifestam inicialmente.

Levon Hagop Hovaghimian
Públio Penna Firme Rodrigues

Maio/2008