
É bem conhecido no mercado de pisos de alto desempenho o fato de que o excesso de umidade nos pavimentos de concreto representa um verdadeiro desafio na aplicação de produtos resinados sobre pisos e também de paredes, podendo resultar em um grande número de falhas no resultado final, variando desde bolhas até a desplacamentos completos. Entender esse fenômeno e os métodos de detecção existentes pode garantir uma aplicação segura e de bom desempenho técnico e estético.
Origem
É muito importante conhecer a diferença entre a transmissão de vapor de água e umidade. Os concretos novos contêm um excesso de água vindo da sua mistura de amassamento, e que que vai sendo eliminado na forma de vapor após a concretagem. A velocidade em que a umidade (excesso de água) deixa de fazer parte da peça concretada depende de alguns fatores: temperatura e umidade ambiente, circulação de ar, uso de compostos de cura, e relação água-cimento utilizada no traço do concreto. Historicamente, tem sido usado um prazo de tempo de cura de 28 dias para um piso de concreto padrão de 15 a 20 centímetros de espessura, antes de se executar a instalação de qualquer proteção ou revestimento polimérico. Esta regra tem garantido sucesso na maioria dos casos. Nos substratos existentes, a passagem de vapor de água (não confundir com passagem de água no estado líquido,ou seja, pressão hidrostática), através do pavimento de concreto pode ser causada por deficiências da barreira de vapor (falta dela ou deficiência). Desta forma se estabelecerá um fluxo equilibrado e constante de vapor de água entre a subbase e a superfície do pavimento em contato com o meio ambiente. A origem desse vapor geralmente é a existencia de água subterrânea oriunda de veios ou nascentes de pouca profundidade, ou também de drenos com mal funcionamento.
Métodos de detecção
Teste do filme de polietileno
Esse procedimento (ASTM D4263) é usado para se determinar se um revestimento pode ou não ser aplicado em função do teor de umidade existente. Coloca-se uma folha de polietileno de 20x20 cm sobre a superfície do pavimento em questão, com toda a sua periferia (quatro lados) selada com fita adesiva garantindo-se assim o isolamento da pequena área com o ambiente. Passadas 16 horas, a folha de teste é removida e visualmente se avalia se há a existencia de condensação de água na face interior dela, ou o “escurecimento” da superfície do concreto onde estava aderida. Constatadas as duas, ou pelo menos uma das ocorrências, a evidencia é de que ainda há umidade em demasia e o revestimento ainda não pode ser aplicado. Nos ambientes muito frios , ou de luz solar direta e intensa, o teste pode não representar a realidade. A recomendação é de que o teste seja conduzido sob condições reais de aplicação do revestimento especificado. É um método simples, barato e não destrutivo, porém pode apresentar resultados um pouco diferentes dos reais.
Teste de cloreto de cálcio
O teste de cloreto de cálcio (ASTM F1869) tem limitações significativas. Mede a atividade apenas na camada superficial do pavimento, a cerca de apenas ½ polegada de profundidade na espessura do pavimento, e os resultados são afetados pelas condições ambientais que cercam a cápsula de teste. Esses valores também são afetados pela presença de excesso de argamassa superficial, e pela formação de filmes de agentes de cura ou coberturas para pisos. Estas devem ser removidas para se obter um resultado exato. Desta forma, em alguns casos, o teste de cloreto de cálcio apresenta erros no resultado, mostrando um “falso positivo”, o que significa atestar a presença de teor de umidade em locais onde realmente ela não existe. Também existem condições em que se pode obter falsos resultados negativos do teste de cloreto de cálcio.
Teste de ponte de Gel
O concreto, como muitos materiais, tem a propriedade de conduzir eletricidade. Quanto maior a porcentagem do teor de umidade, maior também será a condutividade. Há instrumentos no mercado para medir essa condutividade de várias maneiras. O mais preciso está baseado no método em que se fazem dois furos no concreto que são logo preenchidos com um gel condutor.Duas hastes metalicas são introduzidas nas cavidades preenchidas pelo gel , e a condutividade do concreto entre esses dois pontos é lida em um instrumento sensor de condutividade (umidade). Também existem outros instrumentos, com duas pequenas pontas de metal presas ao seu corpo, que quando apoiadas diretamente na superfície do concreto medem a sua condutividade . Este método é relativamente preciso para placas de gesso ou madeira, quando é conhecida a condutividade do substrato seco. No entanto, pela natureza do concreto (cavidades, relação de mistura e tamanho de agregados, relação água-cimento, etc) a condutividade será severamente afetada. Assim é praticamente impossível saber a condutividade ideal do concreto para o revestimento adequado. Portanto, as leituras desses instrumentos são relativas e não representativas da porcentagem de umidade real na laje.
Teste de impedância elétrica
São dispositivos eletrônicos para transmitir e receber a corrente elétrica que flui através do concreto, com raio de alcance de até 30mm de profundidade. Assim, a porcentagem de umidade do pavimento é determinada pela quantidade de corrente que o concreto absorve . Esses dispositivos oferecem uma avaliação mais rápida do teor de umidade do concreto sem necessidade de furá-lo. Da mesma maneira que o teste em gel, a composição do concreto vai afetar as medições. Em geral, esses instrumentos são úteis para detectar diferenças pontuais de teor de umidade em áreas a serem trabalhadas.
Teste de umidade relativa
Atualmente, existe uma tendência de utilizar um novo teste de umidade relativa (ASTM F2170). Tem sido o padrão na Europa já há muitos anos. Esse teste utiliza sensores de pequeno porte que são colocados em dois furos do pavimento para medir com precisão a umidade no fundo do furo. As paredes do furo são isoladas com um filme de plástico. As leituras não são afetadas por condições do ambiente onde o teste é realizado. Os resultados desses testes permitem determinar se o revestimento pode ser aplicado ou não diretamente sobre o substrato, ou se precisaremos usar um material atenuante da umidade. Esse teste de umidade relativa do ar é um teste de qualidade superior. É importante notar que, segundo especialistas do setor, não há correlação entre os resultados dos testes de umidade relativa e aqueles obtidos pelo teste do cloreto de cálcio, principalmente devido ao impacto das condições ambientais no último.
Teste de umidade relativa em caixa isolada
Esse método (BS 8204-2), mede a quantidade de água livre no concreto e não é sensível às condições do ambiente. Determina a umidade relativa de equilíbrio do pavimento. Enquanto este método mede a umidade na superfície, o anterior faz a leitura numa profundidade de até 40% da espessura da laje. O teste consiste em uma caixa com um lado aberto e apoiado na superfície do concreto e com as bordas calafetadas com uma argamassa mole. Em seu interior temos um higrômetro pequeno, ou sensor, que medirá a umidade relativa. As leituras são realizadas a cada 4 horas e deve se esperar até que os valores se estabilizem. O pavimento de concreto a ser testado deverá estar na temperatura de funcionamento desejada em sua operação normal pelo menos 48 horas antes do teste, e qualquer membrana ou argamassa na superfície deverá ser removida previamente.
Guillermo Panelati - StonCor South Cone
Argentina
Março
2011.
O conteúdo deste artigo reflete a opinião do autor.
Participe enviando seu texto para anapre@anapre.org.br