A quantificação da umidade em materiais é muito importante na construção civil. A ausência desta informação pode gerar prejuízos altíssimos, entre outros incômodos, principalmente quando tratamos da aplicação de pisos resinados que possuem um índice de permeabilidade próximo a zero.

Conhecer e avaliar os diferentes métodos de aferição do nível de umidade dos pisos de concreto é fundamental para determinar o ensaio mais apropriado e de fato concluir qual o tipo de revestimento a ser aplicado.

Os principais testes utilizados em campo para quantificar ou apenas qualificar o teor de umidade apurado são:

Teste de manta plástica
Com auxilio de um filme plástico “co-extrusado” com aproximadamente 1 m2 de área aplicado sobre o piso cria-se uma condição de impermeabilidade retendo a exudação de vapor d´àgua do substrato que se condensa na superfície do plástico. Neste teste a avaliação é visual e apenas condenatória;

Teste de placa colada
Aplica-se o revestimento especificado em uma área de aproximadamente 1 m2 e após 72 horas ou mais se executa o arrancamento de uma parte do revestimento. Caso a adesividade da parte removida estiver fraca ou a resina de ancoragem estiver pegajosa ou úmida a aplicação do revestimento dever ser abortada;

Teste gravimétrico ou método Darr
Consiste basicamente na extração de um corpo de prova retirado do pavimento de concreto, que será pesado – anota-se a informação – e, posteriormente, o material é alojado em uma estufa a uma temperatura de até 103º C durante 24 horas. Após este tempo, toma-se novamente o peso e executa-se a análise dos diferenciais determinando o percentual de umidade encontrado neste pavimento.
Este é um processo preciso na teoria, porém sua aplicação em campo sofre certas interferências que poderão alterar os resultados; o processo de extração do corpo de prova gera calor que elimina parte da umidade, o espaço de tempo entre o momento de sua remoção até a tomada do seu peso no laboratório contribui para a diminuição da umidade mesmo tomando-se os devidos cuidados. Concluindo, o método apresentado também é passivo de pequenos desvios;

Teste CM (método Carbureto)
Consiste na remoção de corpo de prova, portanto passivos das mesmas interferências apontadas ao teste Gravimétrico, que será fracionado em pares menores com diâmetro inferior a 2 mm. Este material será acomodado em um recipiente de aço juntamente com esferas de aço e cápsulas de carbureto, lacra-se o recipiente com firmeza agitando-o vigorosamente. Neste processo as cápsulas de carbureto se quebram provocando uma reação química com a umidade do material, gerando uma pressão interna medida através de um manômetro que identifica a concentração de água contida dentro deste recipiente. Na posse deste dado utiliza-se uma tabela de conversão, em conformidade com o material que está sendo analisado, permitindo identificar o percentual de umidade encontrado;

Teste Resistivo (Higrômetro aparelho de medição digital)
É o método mais utilizado na prática para a medição de umidade em materiais aplicados a construção civil. É um método baseado no fato de que a resistência interna de todo material sólido é diretamente influenciada pelo teor de umidade encontrado no mesmo, ou seja, a resistência interna aumenta ou diminui proporcionalmente a quantidade de umidade existente no material. O método resistivo, em contrapartida aos métodos Gravimétrico e CM (Método Carbureto), apresenta uma séria de vantagens que pesam a seu favor; a perda de material na aplicação deste método é mínima, análise perfeita no local e o resultado é imediato, permite também a análise de umidade em diversos pontos na mesma base e teste comparativos podem ser feitos no local comprovando a eficiência do método. No entanto, apesar da eficácia e assertividade na medição de umidade através deste equipamento, sabemos que substâncias químicas diferentes encontradas nos materiais utilizados na construção apresentam resistências distintas, bem como a densidade de cada material altera o índice de sua resistência. De todos os métodos descritos, nenhum deles levaria todas as vantagens; sendo assim, o recomendável é a utilização de mais de um método comprobatório, analisar e comparar os dados coletados para então tomar a melhor decisão na escolha do revestimento e, desta forma, evitar surpresas desnecessárias e garantir a eficácia do revestimento especificado. .


Luis Brunieri
Janeiro 2010
Artigo originalmente publicado no ANAPRE em Notícias nº 02 – Ano 1

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