A utilização comercial de fibras sintéticas no Brasil teve seu início no fim dos anos 90 e hoje existem diferentes players em nível internacional. O que chama a atenção no mercado de fibras sintéticas para concreto é a grande variedade de produtos disponíveis, de diferentes tecnologias, devido à versatilidade da indústria do plástico. As alternativas de produtos são bem-vindas em qualquer segmento da atividade produtiva, porém devem ser apresentadas e utilizadas com responsabilidade.

Há cerca de três anos, quando se especificava a incorporação de fibras de polipropileno em um concreto de piso industrial, os engenheiros, compradores, executores de pisos e as centrais de concreto logo identificavam o produto do qual se estava falando. Hoje a simples descrição do produto “fibras de polipropileno” já não é mais suficiente para definir o produto.

A partir da nossa experiência entendemos que o principal aspecto a ser definido quando se utilizam as fibras sintéticas em um projeto é a função a ser desempenhada pela fibra, individualmente, ou em conjunto.

Uma vez definida a função que deve ser exercida pelas fibras sintéticas em um determinado projeto, outros aspectos devem ser considerados para que se possa eleger adequadamente a fibra a ser utilizada:

1. Composição do material: as fibras de polipropileno, nylon, poliéster e vidro apresentam visualmente a mesma aparência. No entanto, deve-se atentar para dois aspectos importantes: a durabilidade frente o ambiente alcalino e a densidade da fibra. As fibras de poliéster degradam-se no meio alcalino. As fibras sintéticas plásticas têm densidade menor que as de vidro. Isto sugere que a quantidade de fibra por kilo é bem maior para as fibras plásticas do que para as de vidro;

2. Dimensões: as fibras podem apresentar diâmetros e comprimentos distintos. O comprimento é uma grandeza facilmente medida. Já o diâmetro, quando se trata das microfibras, a medição não é possível a olho nu. Então uma microfibra de 12mm de diâmetro apresenta o dobro do número de fibras por kilo quando comparada com uma de 18mm de diâmetro.

3. Formato: as fibras podem ser onduladas, torcidas ou retilíneas, corrugadas, texturizadas ou lisas, fibriladas ou monofilamentos, com seção transversal arredondada ou retangular. O desempenho da fibra depende da sua ancoragem no concreto;

4. Características mecânicas: este aspecto está ligado ao material de constituição da fibra e ao processo de fabricação. Fibras constituídas de um mesmo polímero podem apresentar diferentes módulos de deformação e resistência à tração em função do grau de estiramento do fio durante a produção. Quando comparadas com outras fibras, de maneira geral, as fibras sintéticas plásticas apresentam módulo e resistência à tração inferiores às fibras de vidro e às metálicas.

 

Pelo exposto, percebe-se a complexidade na abordagem deste assunto. A comparação entre as fibras não pode ser feita de maneira direta. Não será somente através da análise dos seus aspectos físico-mecânicos que poderemos apontar a fibra mais adequada. Deve-se levar em conta o desempenho esperado e o custo correspondente. Nossa expectativa é que com a atuação responsável e pró-ativa de todos os partícipes do processo e, após as discussões, experiências práticas e testes laboratoriais, possamos definir critérios técnicos, mensuráveis e transparentes que permitam o desenvolvimento sustentável deste setor.

 

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Júlio P. Montardo
Setembro2009

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