No Word of Concrete 2009, realizado em Las Vegas, a grande novidade para o setor de revestimentos foi a apresentação dos sistemas de pintura de piso utilizando a tecnologia da cura por raios Ultra Violeta, ou simplesmente Cura UV.

A tecnologia de tintas por cura UV não é novidade em si. Desde os anos 70 ela é usada no exterior, e no Brasil na década de 90. Atualmente, é largamente utilizada e dominante na indústria moveleira, gráfica, de embalagem e eletrônica. A inovação para o nosso setor é a sua empregabilidade no revestimento de pisos industriais e comerciais.

O princípio das tintas e vernizes por cura UV é a polimerização (entenda-se endurecimento) quando submetidas a uma intensa luz com espectro predominante de raios Ultra Violeta.

As tintas tradicionais para revestimentos possuem dois componentes que reagem entre si. O primeiro, composto por uma resina epóxi, poliuretanos, metacrílica ou poliéster; e o segundo, por um catalisador ou agente de cura e, por este motivo, são denominadas bi componentes. O tempo de cura inicial de uma tinta bi componente varia entre 2 e 24 horas, sendo que a cura completa dá-se em sete dias, dependendo da resina e do agente de cura.

As tintas baseadas em cura UV não possuem dois componentes; são mono componentes e quem desempenha o papel do segundo componente são os raios Ultra Violeta. A conseqüência é uma cura instantânea, pois assim que a resina/tinta for aplicada e receber o bombardeio de raios UV, a tinta cura e já pode ser pisada/utilizada.

Para o mundo dos revestimentos de alto desempenho para pisos as vantagens são inúmeras:

1- Liberação das áreas pintadas em minutos;
2- Execução de várias cores e faixas em um mesmo dia;
3- Verificação dos defeitos antes da cura;
4- Mono componente, não necessita fazer mistura na obra;
5- Execução de revestimentos com a linha de produção em funcionamento.

Como toda nova tecnologia, o revestimento de pisos com tintas por cura UV possui suas limitações. A primeira é justamente a luz UV. Na indústria moveleira, gráfica ou eletrônica, a luz UV fica instalada em uma máquina denominada túnel de luz, totalmente protegida de vibração e fuga de raios. Neste caso, é a peça resinada que passa pela luz a uma velocidade controlada e permite uma exposição perfeita de intensidade e potência, produzindo uma cura também perfeita.

No caso da pintura do piso, ocorre exatamente o inverso. O piso é estático, não tem como ele “passar” por uma máquina. Para resolver a questão, foram desenvolvidos dispositivos móveis com luz UV que passam sobre o piso curando a resina/tinta aplicada.

As dificuldades iniciam-se no controle da exposição, tanto na velocidade como na intensidade que deve ser homogênea; caso contrário teremos uma pintura com diferentes graus de cura. Outro ponto que gera muita dificuldade é a sensibilidade do equipamento.

As lâmpadas geradoras de intensos raios UV são a base de mercúrio, consomem muita energia, requerem alta refrigeração e são muito sensíveis à vibração, pois geram igualmente muitos raios Infravermelho (calor), sendo que a qualquer movimento brusco podem queimar. Esta limitação poderá ser eliminada, em alguns anos, com o avanço dos LED (Light Emitting Diode) que, gradativamente, já estão substituindo as tradicionais lâmpadas na indústria gráfica e moveleira.

No campo dos sistemas, as tintas e vernizes por cura UV só têm aplicação em revestimentos de baixa espessura, como pinturas e Top Coats, de, no máximo, 50 Micra por demão, pois os raios UV, mesmo com espectro de ondas mais longas como as UV C e UV V, não conseguem penetrar profundamente e curar toda a resina, principalmente se esta for pigmentada.

A super exposição da tinta ou verniz para garantir a cura das partes mais internas “queimaria” o filme superficial por excesso de exposição a raios UV ou, simplesmente, pelo superaquecimento devido à presença dominante de raios infravermelhos.

Apesar das limitações, não devemos ignorar o avanço desta tecnologia, principalmente no campo da manutenção e recuperação de revestimentos existentes em linhas de produção, com grandes limitações de paradas como na indústria automobilística e de alimentos.

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Alexis Joseph Steverlynch Fonteyne
Junho2009