O melhor traço de concreto para pisos é aquele que consegue incorporar a combinação mais econômica de materiais com a trabalhabilidade, resistências à abrasão e compressão, durabilidade e retração requeridas no projeto.

Segundo o Instituto Americano do Concreto, em seu Comitê de número 302, em sua introdução cita que a qualidade de um piso de concreto depende da obtenção de uma superfície plana, relativamente livre de fissuras, na inclinação e nível desejados. As propriedades da superfície são determinadas pelo traço em si assim como pelas operações de lançamento, acabamento e corte de juntas. O tempo, especialmente nas operações de acabamento e corte de juntas, é crítico. Não dar a devida atenção a estes pontos pode fatalmente levar a diversos tipos de patologias, entre elas o fissuramento, baixas resistências à abrasão, desplacamentos, desnivelamentos, empenamentos acima do esperado e excesso de formação de pó na superfície.

O Concreto
Quando se desenvolve traços de concreto especificamente direcionados às aplicações de pisos, deve-se procurar sempre:

  • Minimizar a retração;
  • Maximizar a resistência à abrasão;
  • Adicionar uma quantidade de finos que seja somente suficiente para permitir uma bombeabilidade adequada e facilitar as operações de acabamento, lembrando sempre que uma parte destes finos podem ser substituídos por aditivos modificadores de viscosidade;
  • Minimizar o uso de aditivos que promovam retardos, evitando-se assim a pega diferencial e os conseqüentes “borrachudos”.

Sempre é indicada a realização de uma placa teste, seja na própria área que será concretado o piso em si, seja em outro ponto do terreno. Na placa teste, todos os envolvidos no processo poderão avaliar se o concreto especificado atende os requisitos necessários pelo cliente final, empresa aplicadora e eventualmente o fabricante de endurecedores de superfície.

No caso específico do combate à retração, duas alternativas estão disponíveis em nosso mercado. Uma delas é o uso de aditivos redutores de retração. Estes atuam ao diminuir a tensão superficial da água e conseqüentemente reduzir as tensões geradas dentro dos capilares do concreto. A outra é o emprego de cimentos, ou aditivos, expansivos. Estes atuam por meio da formação adicional de etringita na matriz causando uma expansão inicial que é contrabalanceada com a retração natural sofrida pelo concreto ao longo de seu processo de cura.

Os Agregados
A quantidade ideal de agregados miúdos no concreto está diretamente relacionada com a trabalhabilidade e resistência à abrasão que se deseja obter. O concreto deverá ser coeso e plástico suficiente para mitigar exsudação e segregação.

Menores quantidades de agregados miúdos tipicamente levam a resistências à abrasão mais elevadas caso o concreto não apresente exsudação significativa. A exudação fragiliza a camada superficial do concreto por alterar a relação água/cimento naquela região.

As Fibras
As fibras de aço são utilizadas para substituir parcial ou completamente as armaduras em pisos de concreto. Tal qual ocorre com as armaduras, estas fibras não irão prevenir eventual fissuramento, mas, quando em quantidade suficiente poderão manter as fissuras que surgirem fechadas.

Por outro lado, as fibras sintéticas, sejam elas de Polipropileno, Polietileno ou poliamida (Nylon), têm como principais características trazidas ao concreto a redução da segregação e a redução da formação de fissuras enquanto o concreto ainda está em seu estado plástico. À medida que o módulo de elasticidade aumenta, a maioria das fibras disponíveis no mercado, nas dosagens recomendadas pelos fabricantes não oferecerão restrição suficiente para manter as fissuras fechadas.

Existem também as chamadas Macrofibras, que são fibras sintéticas com as características estruturais semelhantes ao de fibras metálicas.

Os Aditivos
Normalmente, para traços elaborados para pisos de concreto emprega-se plastificantes ou plastificantes polifuncionais. Os aditivos têm como principal função reduzir a quantidade de água de amassamento necessária para se obter uma determinada trabalhabilidade. Com isto, a quantidade de cimento do traço também pode ser reduzida, uma vez que o fator a/c também é menor. Com menos cimento no traço, para uma mesma resistência, a retração potencial do concreto também é reduzida.

Superplastificantes também podem ser empregados em traços para pisos de concreto, observando-se, porém, que o corte de água e a redução nos potenciais de retração não estão relacionados linearmente. Outro ponto a observar quando do emprego dos aditivos superplastificantes é a eventual segregação que pode ser incorporada às características do concreto.

Aditivos retardadores de pega podem e devem ser utilizados em concretagens em climas quentes, visando estender o tempo de trabalhabilidade do concreto. As dosagens dos aditivos, e especialmente o retardo devem ser cuidadosamente estudados em laboratório e acompanhados em obra para evitar assim o aparecimento de pontos com pega diferencial, assim como fissuras de retração plástica, pelo tempo em que o concreto perde água por evaporação, antes de ter resistências mecânicas suficientes para suportar esta perda de volume.

Um cuidado especial deve ser tomado também em relação ao ar incorporado nos concretos para pisos. Recomenda-se que este não ultrapasse os 3% quando se desejar um acabamento polido, de superfície mais dura e densa. Este ar pode formar pequenas bolsas sob a superfície sendo acabada que levará a desplacamentos significativos no piso.

Por fim, recomenda-se também que, caso mais de um aditivo seja utilizado no mesmo traço de concreto, a adição de ambos seja feita em separado, após a compatibilidade entre ambos, comprovada em testes laboratoriais.


Paul Horst Seiler
Março/2009