![]() |
||
![]() |
A evolução dos padrões de qualidade e aceitação
transformou muitas atividades da sociedade moderna e gerou uma constante
busca por produtos cada vez mais sofisticados, com índices
de rejeição reduzidos, aliada à alta produtividade
de um modo geral. O reflexo imediato deste quadro foi o surgimento
de processos de alta performance, utilizando equipamentos de alta
precisão, com controles eletrônicos de última
geração operando, muitas vezes, em áreas livres
de contaminantes particulados. Classificação Atualmente a norma ISO 14644-1 as classifica em nove classes, embora o método ainda mais comum seja a classificação mais antiga do Federal Standard: US.FED STD 209D e US.FED STD 209E (SI – Sistema Internacional). A ABNT adota desde abril de 2005 a NBR ISO 14644-1 em substituição a antiga NBR 13700 – Classificação e Controle de Contaminação. A tabela abaixo compara a classificação das salas nesses diferentes sistemas. Na Europa, o “British Standard 5295:1989” e o “WHO Technical Report Series 902/2002” se destacam entre os mais utilizados, sendo este último, editado pela “World Health Organization”, voltado exclusivamente à área farmacêutica e adotado, também , pela legislação regulatória brasileira, que o transcreve na RDC 210/2003. A tabela abaixo apresenta a classificação segundo “WHO Technical Report Series 902/2002”. . No Brasil é frequente adotar pelas indústrias farmacêuticas, cosméticas e alimentícias as recomendações do FDA – Food and Drog Administration e da ANVISA na forma das RDCs que estabelecem guias gerais para elaboração de projeto, construção e práticas de fabricação em diversos ambientes, inclusive as salas limpas. Para as diferentes indústrias, a classificação requerida para uma sala limpa depende do tipo de atividade e concentração de partículas permitidas. A relação a seguir exemplifica, baseado na Federal Standard, as diferentes classes de concentração pela natureza da atividade industrial e científica. Classe 1 – Utilizadas para manufatura de circuitos integrados com desenvolvimento de geometrias sub-mícron. Classe 10 – Classe destinada à fabricação de semicondutores produzidos em larga escala e circuitos integrados com linhas menores que 2 µm Classe 100 – Utilizada quando se deseja ambientes livres de partículas e bactérias como no caso de manufatura de produtos farmacêuticos injetáveis e de Biotecnologia. Requerido para operações médicas de implantes ou transplantes cirúrgicos. Fabricação de circuitos integrados e de Satélites. Isolamento de pacientes imunodeprimidos e pacientes com operações ortopédicas. Classe 1000 - Fabricação de equipamento de alta qualidade. Montagem e teste de giroscópios de precisão. Montagem de mancais miniaturizados Classe 10.000 - Montagem de equipamentos hidráulicos e pneumáticos de precisão, válvulas servo-controladas, dispositivos de relógios de precisão, engrenamento de alto grau. Classe 100.000 - Trabalhos óticos em geral, montagem de componentes eletroeletrônicos, montagem hidráulica e pneumática, linhas de embalagem Construção A construção de uma sala limpa começa com o piso, paredes e teto e esses componentes devem assegurar o máximo de limpeza e um mínimo de contaminação. O piso é um dos mais importantes: o processo produtivo acaba acontecendo sobre o mesmo, elevando sobremaneira sua relevância. Os pisos para salas limpas precisam ser de fácil limpeza e manutenção, possuir aparência atrativa e cores claras de modo a facilitar a visualização de sujidades, apresentar superfície lisa com porosidade o mais próximo quanto possível de 0% e estar isenta de juntas e trincas que evitem acúmulo de partículas e germes. Em determinadas situações, o piso necessita também, de características adicionais, tais como controle de eletricidade estática (pisos condutivos e antiestáticos), resistências químicas específicas e índices adequados de planicidade e nivelamento. Outro fator importante é que durante o uso, a formação de poeira pela abrasão deve ser mínima. Por estas e outras razões tais como inexistência de juntas e rapidez da aplicação e liberação de áreas os revestimentos monolíticos a base de resinas sintéticas, tais como o epóxi e o poliuretano são, atualmente, os sistemas mais adotados para revestimentos de piso em salas limpas. Para a sua aplicação, inspeções prévias acabam sendo de grande importância de modo a eliminar o risco de falta de capacidade de suporte, irregularidades e saliências localizadas no substrato, que podem colocar em risco toda a condição operacional pelo aparecimento de trincas, fissuras, impregnação de sujidades e consequente proliferação de microorganismos nestes locais. Variando conforme a classificação das salas, a tendência é a adoção de sistemas com textura final mais lisa, tal como os autonivelantes em salas com limite de partículas abaixo de 100. Além destas características, a realização de ensaios de desempenho básicos como resistência a compressão, a abrasão, flexão na tração, índices de permeabilidade e demais testes que podem ser encontrados na NBR 14050, que regulamenta o uso de revestimentos monolíticos a base de resinas epóxi, são pontos importantes para assegurar sua performance e adequação em ambientes controlados. Operação Um
ponto relevante quando a sala estiver pronta e posta em operação
é a manutenção, com limpeza periódica
do local. Assim, é comum, pelo pessoal de limpeza, empregar
os mesmos saniti\zantes utilizados nos procedimentos de limpeza e
higienização dos equipamentos e utensílios que
dela fazem parte. Muitas vezes, essas substâncias são
agressivas ao revestimento do piso causando degradações
e reduzindo sua vida útil. Embora seja parte do processo, o
piso não participa diretamente do mesmo e deve haver procedimentos
específicos para essa área da sala. Desse modo, é
importante que ao término da instalação, o aplicador
forneça ao usuário um guia geral de procedimentos e
resistência química do revestimento utilizado. .
Levon
Hagop Hovaghimian e Ariovaldo Paes Junior
Fevereiro/2009 |
![]() |