A utilização do concreto reforçado com fibras de aço ocorre no Brasil há vários anos. As aplicações são bem variadas, indo da utilização em concreto para revestimento de túneis, passando pelo concreto para pavimentos e chegando mais recentemente ao concreto pré-moldado (como os tubos de esgoto). No entanto, isto vem acontecendo sem que se tivesse à disposição qualquer norma nacional sobre o assunto. Ou seja, a produção de fibras não precisava atender nenhum requisito e o controle do material em si era praticamente inexistente.

Naturalmente, esta condição expunha o mercado a riscos de insucesso causados pela falta de parâmetros mínimos que servissem de referência para balizar a especificação e seleção do material. Esta situação mudou ao final de 2007, quando a ABNT publicou a norma NBR 15530:07 “Fibras de aço para concreto - Especificação” que estabelece parâmetros de classificação das fibras de aço de baixo teor de carbono. Nesta classificação estão previstos três tipos básicos de fibras, divididos segundo a geometria da mesma.

O primeiro, Tipo A, é o das fibras com ancoragem em gancho, que é um dispositivo utilizado para melhorar a ancoragem da mesma dentro do concreto. O segundo é a fibra Tipo C, corrugada, e o terceiro é a fibra Tipo R, que possui uma geometria reta. Esta classificação geométrica, associada a cada tipo de fibra, não contempla o formato da seção transversal, mas somente o perfil da fibra. O formato da seção transversal irá depender do tipo de aço utilizado na produção da fibra que pode ser trefilado ou laminado. Assim, além dos tipos de fibras, a especificação para fibras de aço prevê três classes de fibras, as quais foram associadas ao tipo de aço que deu origem às mesmas:

- Classe I: fibra oriunda de arame trefilado a frio;
- Classe II: fibra oriunda de chapa laminada cortada a frio;
- Classe III: fibra oriunda de arame trefilado e escarificado.

Associada a esta classificação são definidos, também, os requisitos mínimos de forma geométrica, tolerâncias dimensionais, defeitos de fabricação, resistência à tração e dobramento. Procurou-se garantir que qualquer produto em conformidade com estes requisitos tenha potencial para proporcionar um desempenho adequado ao concreto reforçado com fibras de aço.

A norma se atém ao produto fibra, sem regular a verificação de desempenho da mesma no concreto, o que deverá ser objeto de normalização futura. No entanto, a nova especificação de fibras de aço para concreto, que foi produzida pela ABNT, pode ser considerada um marco da tecnologia do CRFA no Brasil. Isto porque ela traz alguns avanços tecnológicos incorporados, como o nível elevado de exigência para a resistência do aço, o que é perfeitamente compatível com a condição de produção de fibras hoje instalada no país. Além disso, os requisitos especificados, além de atenderem a condição nacional, podem ser considerados em conformidade com o mercado externo, ou seja, uma fibra produzida no Brasil e que atenda aos requisitos desta especificação, estará em condições de ser aceita em qualquer mercado internacional. No entanto, a recíproca não é verdadeira, pois as normas internacionais são mais flexíveis que a brasileira no que diz respeito a vários fatores como as tolerâncias dimensionais e a resistência mínima do aço.

Antonio Domingues de Figueiredo
Departamento de Engenharia da Construção Civil da EPUSP
(Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
)


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